Programação

MAR na Academia: Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin

6 de julho

14h

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Walter Benjamin (1892-1940) deixou uma obra de extrema abrangência e fecundidade para pensarmos a arte e a cultura. Por isso, foi o autor escolhido pelo MAR para nortear um núcleo significativo em sua biblioteca. A instauração desse núcleo se dá por meio das inúmeras aberturas que seu pensamento proporciona. O Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin tem por objetivo semear o trabalho para a biblioteca e oferecer ao público uma amostra da multiplicidade de caminhos percorridos pelo filósofo. Nada estava a priori fora do olhar desse pensador curioso, guiado mais pelo princípio (por ele mesmo estudado) do colecionismo – que é capaz de desrespeitar o contexto original em que seu objeto é situado para colocá-lo em outro – do que pelo espírito do sistema totalizante. Assim, o Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin pretende, a partir dos assuntos e questionamentos desse autor, apresentar entradas plurais e sem hierarquias predefinidas para pensarmos o passado e o nosso presente nas esferas da arte e da cultura.

Luísa Duarte e Pedro Duarte, 
programadores

O MAR na Academia conta com o apoio da Accenture, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura.

O Programa MAR na Academia é uma realização do Museu de Arte do Rio. Consultor: Leno Veras.

>> CALENDÁRIO

Quarta, 6/7 > Arte: olhar e colecionar

14h: Beatriz Sarlo e Peter Osborne

16h30: Susana Kampff Lages e Pedro Duarte

Quinta, 7/7 > Jogos: cultura e escrita

14h: Filipe Ceppas e Kátia Muricy

16h30: Maria Angélica Melendi e Sonia Kramer

Sexta, 8/7 > Modernidade: fotografia e cidade

14h: Ernani Chaves e Mauricio Lissovsky

16h30min: Márcio Seligmann-Silva e Maria Rita Kehl

>> PROGRAMAÇÃO

6 DE JULHO > OLHAR E COLECIONAR

Haverá tradução simultânea. 

14h: O saber do colecionador - Beatriz Sarlo

Walter Benjamin foi colecionador, estudou o grande colecionador Eduard Fuchs e escreveu observações fundamentais sobre o infinito e a fragilidade do colecionismo. Encontrou na coleção um espaço impossível de ser completado, perseguido sempre pelo que nele falta e não pelo que inclui. Benjamin foi também um homem de bibliotecas. A conferência se propõe a estabelecer as relações entre esses dois modos de classificar a desordem da história documental.

Arquivo como sobrevivência – Walter Benjamin e a ontologia histórica da obra de arte - Peter Osborne

Trataremos da questão geral benjaminiana – “como é possível entender o conteúdo histórico de uma obra de arte de forma que ele se torne mais transparente para nós enquanto obra de arte?” –, por meio de seu conceito de “sobrevivência” (Nachleben), no contexto de mudança da função artística da documentação. “O que a arte da documentação tem a nos dizer sobre a ontologia histórica da obra de arte e suas relações com as práticas de colecionar e arquivar, em particular?” A apresentação se aproximará dessa questão por meio de dois textos distintos, porém inter-relacionados, de Benjamin: “Desempacotando minha biblioteca: um discurso sobre o colecionador” (1931) e “Eduard Fuchs, colecionador e historiador” (1937).

16h30: O motor do esquecimento: o trabalho da tradução como rememoração deformadora - Susana Kampff Lages

Examinaremos em que medida o ensaio de Walter Benjamin sobre a tarefa do tradutor pode iluminar sua leitura da obra de Franz Kafka. O novo modo de ver a arte e a literatura do início do século XX, denominado expressionismo alemão, constituiu, segundo Theodor Adorno, o horizonte da obra de Kafka, que, entretanto, nele não se reconhece. No cerne dessa ligação tão pouco aparente entre um texto do jovem Benjamin, escrito para um volume de traduções, e suas leituras do autor tcheco parecem estar dimensões esquecidas do existir. Como reverso do trabalho explícito de conservação memorial empreendido pelo colecionador, o esquecer opera como uma espécie de motor da escrita kafkiana, que contamina o leitor, crítico e tradutor Walter Benjamin.

A arte e a arte da crítica de arte - Pedro Duarte

Walter Benjamin definia-se como um crítico de arte. Sua crítica encontraria a forma mais adequada no ensaio, diferente da poética no classicismo, da biografia no humanismo e do sistema no idealismo, bem como da informação no jornalismo. Isso é confirmado pelo fato de que quando a crítica de arte nasceu, na geração romântica do século XVIII, já assumira a forma fragmentada do ensaio. O ensaio é uma reflexão aberta, permanentemente incompleta, cujo sentido é intensificar a obra de arte da qual fala. Por vezes, contudo, o próprio ensaio crítico confunde-se com uma obra de arte, e vice-versa. Esta conferência buscará, a partir do pensamento de Walter Benjamin, destacar o ponto de convergência entre a arte e o que se poderia chamar de arte da crítica de arte, apontando exemplos como o do cinema de Jean-Luc Godard, na França, e do movimento da tropicália, no Brasil.

>> CONFERENCISTAS

Beatriz Sarlo publicou vários livros sobre literatura e crítica cultural e urbana, entre os quais se destacam Modernidade periférica: Buenos Aires 1920 e 1930 (1988); A imaginação técnica (1992); Borges, um escritor na periferia (1993); Cenas da vida pós-moderna (1994); A cidade vista: mercadorias e cultura urbana (2009); Sete ensaios sobre Walter Benjamin (2010); Viagens: da Amazônia às Malvinas (2014); Zona Saer (2016). Foi diretora, de março de 1978 a março de 2008, da revista Punto de vista. Foi traduzida para o português, o inglês e o italiano. Ensinou na Universidad de Buenos Aires, em Columbia, Berkeley, Harvard e Cambridge. Em 2009, recebeu a Ordem do Mérito Cultural da República Federativa do Brasil.

Pedro Duarte é professor doutor de filosofia da PUC/Rio. Foi professor visitante nas universidades Brown (EUA) e Södertörns (Suécia). É autor dos livros Estio do tempo: romantismo e estética moderna e A palavra modernista: vanguarda e manifesto. Prepara agora o volume sobre o álbum Tropicália para a coleção O livro do disco.

Peter Osborne é diretor do Centro de Pesquisa de Filosofia Europeia Moderna, Kingston University London, e editor do periódico britânico Radical philosophy. Entre seus livros estão El arte más allá de la estética: Ensayos filosóficos sobre el arte contemporáneo (2010) e Anywhere or not at all: philosophy of contemporary art (2013). Ele também coeditou A filosofia de Walter Benjamin: destruição e experiência (1997) e editou Walter Benjamin: critical evaluations in cultural theory (2005).

Susana Kampff Lages é professora de literatura alemã e literatura comparada na Universidade Federal Fluminense. É autora dos livros João Guimarães Rosa e a saudade e Walter Benjamin: tradução e melancolia (Prêmio Jabuti na categoria Crítica Literária). Em 2011, publicou uma série de traduções de ensaios de Walter Benjamin no volume Escritos sobre mito e linguagem. Atualmente, prepara a tradução dos diários de viagem de Franz Kafka.

>> Confira a programação do dia 7/7 - Jogos: cultura e escrita e do dia 8/7 - Modernidade: fotografia e cidade.