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Guignard e o Oriente, entre o Rio e Minas

O Museu de Arte do Rio – MAR apresenta, sob a curadoria de Priscila Freire, Marcelo Campos e Paulo Herkenhoff, a exposição Guignard e o Oriente, entre Rio e Minas, que dá continuidade ao seu programa curatorial de interesse historiográfico, concebendo mostras que revisam narrativas da história da arte a fim de problematizar suas eventuais simplificações e ativar sua dimensão crítica. Assim, depois de exposições como Vontade Construtiva na Coleção Fadel, Pernambuco Experimental e Pororoca – A Amazônia no MAR, Guignard é apresentado ao público do museu especialmente por meio de sua relação com a estética chinesa, numa asserção de que não se pode interpretar sua obra sem passar pelo Oriente.

A singularidade da contribuição de Alberto da Veiga Guignard para a modernidade da arte produzida no Brasil passa por seu interesse pela China. Enquanto grande parte dos artistas modernos do país cultivou um diálogo com referências do Japão, Guignard mostrou-se prolífico em conceber sua obra a partir da interlocução com a arte chinesa, entrecruzada com a estética colonial que marca seu lugar de atuação, Minas Gerais, bem como sua formação sensível, igualmente interpelada pela paisagem do Rio de Janeiro. Sua obra foi capaz de acionar e harmonizar sistemas pictóricos díspares no tempo e no espaço, configurando uma importante contribuição para o pensamento moderno brasileiro ao fazer-se ao mesmo tempo local e plural.

A mostra reúne pinturas, desenhos, objetos, documentos, gravuras e outras peças que estabelecem diálogos capazes de sublinhar a riqueza da troca entre a pintura desse artista brasileiro e as referências da arte e da iconografia oriental, percorrendo o fértil campo do barroco brasileiro – e, de modo mais amplo, da estética colonial. Para além de uma filosofia da paisagem, trata-se de um conjunto de obras que nos alerta para as políticas da representação e da imagem, que, hoje, constituem um dos cernes da vida simbólica de uma sociedade. O MAR agradece ao casal Hecilda e Sergio Fadel o generoso empréstimo de preciosidades de sua coleção. Esta exposição homenageia a família Fadel, que ora compartilha com a sociedade seu olhar amoroso sobre o universo de Guignard.

  • Foto: Thales Leite

  • Foto: Thales Leite

  • Foto: Thales Leite

  • Foto: Thales Leite

  • Foto: Thales Leite

  • Foto: Thales Leite

  • Adriana Varejão. Quadro Ferido. 1992 óleo sobre tela.165 x 135 cm.

  • Jodocus de Momper. Vale rochoso com figuras, 1564 / 1635. óleo sobre tela. Fundação Eva Klabin.

  • GUIGNARD, Alberto da V. Lagoa Santa, 1950. Óleo/madeira. 29,8 x 44 cm.

  • GUIGNARD, Alberto da V. Sem título, 1940. Grafite/papel. 25 x 35 cm.

  • GUIGNARD, Alberto da V. Sem título, 1937. Óleo/tela. 91 x 61,5 cm.