Reserva Técnica

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon, vai inaugurar em março de 2017 – mês de seu aniversário de quatro anos – sua nova reserva técnica. As obras para sua ampliação contaram com o patrocínio do BNDES. O novo espaço vai apresentar ao público uma área visitável. A necessidade de ampliação do espaço foi fruto da bem-sucedida formação de seu acervo, que conta hoje com 5.790 itens museológicos, 6.025 arquivísticos, 12.180 bibliográficos, dos quais 1.481 são livros de artistas. É a primeira coleção de arte concebida para o município do Rio de Janeiro.

O atual acervo do MAR conta com obras de vários artistas, mas também possui objetos que representam a cultura visual da cidade. E a organização desse acervo foi criada especialmente para dar conta de material tão vasto culturalmente. Ele é dividido em núcleos significativos, uma maneira de reunir diferentes obras e documentos que se relacionem de alguma forma. Como exemplo, há o núcleo da escravidão. São documentos da época da escravidão, instrumentos, gravuras históricas, até obras de artistas contemporâneos que abordam o tema. Ou o núcleo Urbanismo, que reúne de obras de arte a placas da cidade.

O acervo tem como lema colecionar para exibir e exibir para colecionar. A exposição “Pororoca” (2014), por exemplo, surgiu a partir da enorme coleção de obras relacionadas à Amazônia. Com cerca de 500 objetos provenientes de mais de 50 doadores, o conjunto é o mais completo acervo do gênero fora da região, cobrindo uma diversidade cultural que atravessa a tradição dos povos indígenas, o ribeirinho e a modernidade. Foi constatado então em 2014 que a riqueza de tal núcleo significativo merecia uma mostra.

E esse núcleo acaba de ser ampliado. O artista Alexandre Sequeira – com individual em cartaz no museu até julho – doou todas as suas obras expostas para o acervo do MAR. Foi a primeira vez que o material de uma exposição foi integralmente doado para o acervo do museu. Uma relação de confiança entre o artista e a instituição.

Ter suas obras como parte do acervo é uma garantia de conservação e preservação. Pensando nisso, o MAR estabeleceu relações importantes que fazem parte dos projetos responsáveis pelo importante papel das doações. Assim também o MAR se torna referência de determinados artistas, como Alexandre Sequeira, Maurício Dias e Walter Riedwig.

Não só os artistas confiam no museu para preservação de seus trabalhos. As famílias de nomes importantes também enxergam nessa relação uma forma de preservar a memória de seus familiares por meio da conservação de suas obras no local. O MAR é atualmente referência também para obras de Kurt Klagsbrunn, que teve uma exposição com diversas peças em 2015 no museu. Qualquer outra obra do fotógrafo humanista que venha a ser usada em uma exposição no MAR será automaticamente doada para seu acervo.

E a relação com a sociedade na construção do acervo também trouxe peças como os arquivos de um fotógrafo do cotidiano do Morro da Providência, já falecido, encontrados por uma participante do programa Vizinhos do MAR. Como guardiã dessa memória encontrada, ela logo confiou ao museu o material tendo a certeza de sua preservação e pesquisa. Atualmente parte está exposta na mostra de Alexandre Sequeira, em uma instalação que faz um diálogo entre o trabalho do fotógrafo do Morro da Providência e o artista que dá nome à mostra.

Tudo isso significa um esforço de gestão para conclusão do objetivo de constituir um acervo da e para a sociedade, uma relação que está no DNA do espaço. Foram criados complexos sistemas de doações, projeto bem-sucedido e responsável pelo atual material do museu que conseguiu formar uma vasta coleção mesmo sem dinheiro. É a conclusão de um desejo de porosidade com a sociedade, ter entre os objetos do acervo o que a sociedade quer que o MAR colecione.

A nova reserva técnica foi pensada também para ampliar ainda mais o projeto educacional do MAR. Ela terá, assim como as demais áreas da instituição, um importante papel de formação, tanto museológica como mostrando a importância de conservar a memória da sociedade por meio de obras de arte e da cultura visual.   

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