Programação

MAR na Academia - Conferências de Georges Didi-Huberman - Seminário Internacional Chamar as chamas: imagens, gestos, levantes

Este seminário internacional, que ocorrerá entre os dias 23 e 26 de novembro, aborda as dimensões estéticas das forças individuais e coletivas que são invocadas em rebeliões ou levantes. O que se busca chamar, nos diálogos aqui propostos, é aquilo que arde nas imagens surgidas desses acontecimentos. Nessa tentativa, procura-se resgatar diferentes gestos de insurgência que revoltam o mundo ou que contra ele se levantam. Impulsos que mobilizam ações e paixões, fulgurando-se numa constelação de obras por meio de imagens, palavras ou pensamentos. Complementando o seminário, a programação do evento inclui o curso "Realismos - Sobre as percepções políticas do real", com Stefanie Baumann, duas conferências de Georges Didi-Huberman e o lançamento de dois livros desse autor pela Coleção ArteFíssil, publicados pelo Museu de Arte do Rio em coedição com a Contraponto Editora. O evento, organizado por Tadeu Capistrano (UFRJ) e Georges Didi-Huberman (EHESS), é mais uma realização do Museu de Arte do Rio - MAR em parceria com o Programa de Pós-graduação em Artes Visuais (PPGAV) da UFRJ. 

Georges Didi-Huberman. 2013. Paula Huven.

O seminário conta com o patrocínio do Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro e Braskem.

Inscreva-se aqui para os dias 23 e 24. 

 

 

Programação

18 a 20 de novembro 
9h30 às 13h30 | Curso Realismos - Sobre as percepções políticas do real, com Stefanie Baumann

DESEJO E LEVANTE | Conferências de Georges Didi-Huberman

23 de novembro, segunda-feira | Gestos do levante, conferência de Georges Didi-Huberman 
Auditório e Sala de Transmissão do MAR (70 vagas no Auditório | 170 vagas na Sala de Transmissão)
Haverá tradução simultânea 

O levante será visto primeiro como gesto. Partiremos de uma situação que é aquela da perda, seja em nossa vida coletiva, seja na individual. A perda nos aflige inicialmente, mas igualmente suscita – se o desejo não está morto – um gesto por meio do qual nós nos levantamos contra a dor: o luto. Então, o luto põe o mundo em movimento, “levanta-o”, por assim dizer. Isso é o que vemos, por exemplo, em O Encouraçado Potemkin, de Eisenstein ou em O fundo do ar é vermelho, de Chris Marker. Como pensar antropologicamente a transformação da aflição em levante? Como saber dizer “merda!” às forças que nos constrangem? Em suma, como encontrar as formas de nossas forças de levante? Retornaremos uma vez mais ao pensamento de Aby Warburg a respeito das “fórmulas de pathos”, mas associando-as àquela de certos poetas como Henri Michaux ou Federico García Lorca: os gestos vêm das profundezas. Seria, portanto, possível pensar o levante como essa força profunda nomeada “duende”. 

24 de novembro, terça-feira | Potências do desejo, conferência de Georges Didi-Huberman 
Auditório e Sala de Transmissão do MAR (70 vagas no Auditório | 200 vagas na Sala de Transmissão)
Haverá tradução simultânea 

Aquilo que nos levanta é a força do desejo. Essa será, aqui, a hipótese, no mesmo quadro traçado por Walter Benjamin ou Theodor W. Adorno, segundo a qual – de forma aparentemente pessimista – a história humana não é outra coisa que a história da dor dos humanos. Vivemos, hoje mais do que nunca, com a memória dessa dor. Mas a memória arde: ela se encandece, produz explosões ou fogos de artifício. Ou, como dizemos em francês, ela “arde de desejo”. Desejo e memória são as potências mesmas do levante, na condição de pensar – como convidou Gilles Deleuze após Spinoza, como igualmente convidou Antonio Negri – a noção de potência contra aquela de poder. Retornaremos, por meio de uma evocação de Georges Bataille, ao exercício possível de uma transgressão simultaneamente poética e política encarnada em algo como uma revolta dionisíaca de pensamentos, corpos e obra.

25 e 26 de novembro, quarta-feira 
Auditório do MAR
Seminário Chamar as chamas: imagens, gestos, levantes 

Lançamento de livros

Durante todo o evento 

Invenção da Histeria: Charcot e a Iconografia Fotográfica de Salpêtrière, de Gerorges Didi-Huberman (Coleção Artefíssil - MAR e Contraponto Editora)
A Semelhança Informe: ou o Gaio Saber Visual Segundo Georges Bataille, de Gerorges Didi-Huberman (Coleção Artefíssil - MAR e Contraponto Editora)

Apoio: